Estresse, ansiedade e sono inadequado podem desencadear a enxaqueca

A enxaqueca afeta 20% das mulheres e entre 5% a 10% dos homens. Geralmente intensas, as crises podem ser desencadeadas por gatilhos, como estresse, ansiedade, rotina inadequada de sono, entre outras condições.

A neurologista Thais Villa esclarece que esses gatilhos influenciam no quadro de enxaqueca, mas não são a causa da doença. “O que as pessoas confundem, elas acham que o gatilho é causa. Então, vou dar um exemplo, a pessoa fala: ‘minha enxaqueca é menstrual’. Não é que você tem uma enxaqueca menstrual e a causa é a menstruação, senão 100% das mulheres teriam enxaqueca, né? Todas nós menstruamos. Pra você que tem enxaqueca, o gatilho hormonal e de ter menstruação, provoca enxaqueca em você. Outros falam: ‘minha enxaqueca é nervosa, psicológica é de estresse’. Novamente, o estresse é um gatilho que provoca crises em quem tem a doença”.

A médica diz que diferente da dor de cabeça, que tem uma causa por trás, a enxaqueca é a própria doença. “A dor de cabeça, ela é um sintoma que pode acontecer em várias doenças. Falando, atualmente, da Covid, por exemplo, a Covid pode ser causa de dor de cabeça. Porém, essa dor de cabeça, ela cura quando a Covid cura. Quando a gente tem dor de cabeça, é importante descobrir a causa da dor de cabeça. E a enxaqueca é uma doença que causa dor de cabeça como sintoma, mas que tem dentre os sintomas vários outros, não só a dor de cabeça. Como intolerância à luz, intolerância a barulho, intolerância a cheiros, pode ter sensação de má digestão, como se o estômago estivesse parado, refluxo, náusea. É comum no pico dessa dor poder haver vômitos”.

De origem hereditária, a enxaqueca também pode se manifestar com aura, como esclarece a neurologista Thais Villa. “Existem, na verdade, dois tipos de enxaqueca, uma que chama sem aura e uma com aura. E a diferença é essa aura, a presença desse sintoma, que é um sintoma normalmente visual, onde a pessoa antes da crise, mas pode ser durante ou depois da crise de enxaqueca, com aqueles sintomas, a dor de cabeça e tudo o mais, ela tem sintomas na visão do tipo ver brilhinhos, eles chamam de estrelinhas, ou então a visão ficar embaçada. Então muda a visão da pessoa por alguns minutos e depois de um tempo, normalmente, uma crise forte de enxaqueca. A maioria das pessoas tem a enxaqueca sem aura”.

A doença é diagnosticada com base no quadro clínico e o tratamento é fundamental para prevenir as crises. Então, o diagnóstico é feito pela uma consulta médica detalhada. O tratamento da crise deve ser feito com medicações, também prescritas por um neurologista especialista, porque o que as pessoas costumam fazer é se automedicar. E o que acontece? Se a pessoa com enxaqueca usa mais que dois comprimidos por semana, de medicamentos para dor de cabeça em geral, mais que dois comprimidos por semana, isso já é um uso excessivo de medicamentos de crise e, na enxaqueca, ele provoca uma dor de cabeça. Uma dor de cabeça de rebote pelo uso das medicações, como uma abstinência. A base do tratamento é controlar a doença e prevenir as crises. Existem métodos não medicamentosos, medicamentos preventivos, existem procedimentos preventivos, existem medicações que são específicas feitas mensalmente, existe toxina botulínica para uma enxaqueca frequente, diária, ou quase diária, existem muitas formar de prevenir a enxaqueca. Que o neurologista e uma equipe de especialistas vai traçar um plano específico pra você, na sua frequência, na sua intensidade, na sua severidade de enxaqueca”.

De acordo com a neurologista, a enxaqueca pode afetar pessoas de qualquer idade, a partir da infância. Entre as mulheres, por questões hormonais, as crises podem se tornar mais severas na fase adulta.

Fonte: Agência Rádio 2

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